Conversei com a Francine Grando, autora do meme “O que queremos?” e descobri algo que me surpreendeu: este é o único meme registrado no Brasil. Ou seja, ninguém, nenhuma marca pode utilizar o meme “O que queremos?” sem a autorização de sua criadora. Quando ela me contou, na hora eu pensei: vamos fazer uma entrevista! Gentilmente ela topou e eis-nos aqui com exclusividade para falar sobre a importância de registrarmos e protegermos os nossos projetos e ideias.

Francine Grando. Credito: Lisa Roos Fotografia

A conversa foi longa e muito enriquecedora. Vou compartilhar alguns pontos que se destacaram para abordar o tema, fundamental para os criativos de plantão e também aqueles que desejam transformar um tema-paixão em negócio.

Como surgiu a ideia do meme “O que queremos?”

“O meme foi um projeto de estudo do trabalho final de pós-graduação em marketing digital. Eu já tinha feito uma especialização em análise de comportamento de usuários e decidi que queria fazer um estudo sobre o comportamento do brasileiro em redes sociais. O objetivo era analisar a maneira como elas lidam com os conteúdos e publicações na internet”, conta Francine Grando.

Ainda de acordo com Francine, profissional de Comunicação e Marketing, ela iniciou esse estudo em 2010 e encontrou outro caso sobre comportamento em um blog dos Estados Unidos (http://hyperboleandahalf.blogspot.com.br), da artista plástica Allie Brosh. A partir daí, Francine passou a utilizar materiais desse blog até chegar no formato de tirinhas que o “O que queremos” tem atualmente.

“No início de 2012 solicitei a Allie o uso de seu boneco para usar no Brasil, e fui orientada a modificá-lo e registrá-lo aqui, para inclusive proteger principalmente os direitos da artista. Foi o que fiz e deu tudo certo. Já em novembro deste mesmo ano, após alguns membros do meu grupo de estudo (70 pessoas) começarem a vazar tirinhas, optei em colocar a página “O que queremos?” no ar, e o resultado foi o que todo mundo viu: caiu na graça do povo”.

E aí veio a confusão! Mas logo desapareceu.

Francine conta que não só os brasileiros, mas muitos internautas de outros países compartilham, alteram o conteúdo e repostam. “Algumas tirinhas vazadas que são de 2010 tinham o boneco da artista Allie Brosh, então muita gente associa o meme “O que queremos?” com o blog dela”. Enquanto Francine compartilha sua história, também se diverte: “É engraçado. Muitos acham até que o meme é gringo. Mas, a própria Allie já compartilhou coisa da minha página “O que queremos” no perfil dela. E quando ela lançou um livro no Brasil, eu e a fanpage do meu meme fomos os divulgadores. Acredito que esse tipo reconhecimento é muito importante”.

Sobre humanização e memes

Francine alerta que é preciso ter um cuidado especial com a relação Conteúdo X Identidade da empresa. Para ela, fazer meme apenas para estar na moda não é legal e que o ideal é criar empatia, sentir a “dor” das pessoas, e aí sim humanizar os conteúdos. “A inspiração é a fórmula básica de toda Comunicação Social. Procuro gerar empatia e usar temas do dia a dia, que vemos com nossos amigos e parentes. A humanização de marca é estar ofertando mais que o produto. É estar trabalhando o interno para se dar bem no externo. A humanização precisa ser homogênea (interna e externa) usando memes de base, com cautela”. Além disso, Francine Grando também reforça que de nada adianta ter um atendimento muito bom nas redes sociais e um produto ou serviço ruim fora delas.

Com “O que queremos?”, por exemplo, a autora conseguiu engajar as pessoas para o bem. Com o registro do meme é claro que existe um retorno financeiro, mas a realização dela é poder se unir a quem quer espalhar a gentileza por aí.

Opa, Gentileza!

Para se ter uma ideia da dimensão do projeto, ela tem parceria com cerca de 30 entidades e ONGs sérias e comprometidas, para as quais repassa mensalmente os valores arrecadados com a liberação do seu meme usado por outras marcas.

Proteção de ideias, ações e projetos

A história da construção do meme “O que queremos?”, assim como seu sucesso, nos faz pensar sobre a importância de protegermos nossas marcas. Não só o nome da nossa empresa, por exemplo, mas também nossos projetos, conceitos e métodos, que muitas vezes são o verdadeiro elo entre nós e a nossa audiência e nossos clientes.

Para resguardar juridicamente seus projetos é preciso fazer o registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). É um processo demorado. Eu já passei por isso e tive que ter paciência. Tenho duas marcas registradas. Porém, conforme a própria Francine reforça, “proteja a sua ideia. O que temos de mais precioso é o nosso tempo e a nossa criatividade. Não jogue tudo fora. Crie um plano e siga à risca”. E complementa: “o caminho muitas vezes é tortuoso, mas o resultado é sempre recompensador”.

Para quem tem interesse em usar o meme “O que queremos?” em suas mídias digitais pode solicitar o uso pela página no Facebook ou pelo e-mail oquequeremos@gmail.com. A solicitação é avaliada pelo jurídico e recebe um parecer positivo ou negativo. O valor do uso da marca para a ação solicitada será fechado de acordo com o tempo de concessão. A Francine é bem aberta a conversa e adora trocar ideias quando vê pessoas interessadas no seu meme.

E você, tem um projeto autoral ou deseja criar um para chamar de seu? Se ainda está procurando descobrir o propósito e um diferencial competitivo  para o seu projeto e não sabe muito bem que caminho seguir, aproveite para conhecer a Mentoria Marketing de Gentileza. Será um prazer te ajudar a tirar suas ideias do papel e transformar seu tema-paixão em negócio.

Sobre o autor Veja todos os posts

Laíze Damasceno

Meu propósito é inspirar, emocionar e tocar o coração das pessoas. Acredito que Marketing não é apenas sobre marcas, serviços, produtos ou eventos. É sobre relações humanas. Sou fundadora do blog e autora do livro Marketing de Gentileza. Sou Jornalista, pós-graduada em Comunicação Corporativa, diretora da Angorá Comunicação, palestrante e Coach formada pela SLAC.

Deixe uma resposta