Uma vez eu estava andando na Av Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, e passei em frente a um mini mercado.

Tinham três homens andando na minha frente. E e do lado, bem parada em frente ao mercado, tinha uma senhora, aparentemente de rua, pois estava com roupas sujas e rasgadas. Ela abordou esses três homens pedindo ajuda.

Sugestão de trilha sonora:

Eu não entendi muito bem o que ela falou com eles. Na hora em que eu passei na frente dessa senhora, ela também me abordou e me pediu ajuda. Ela tentou com eles, mas eles nem ouviram, nem deram atenção. Olharam meio de “rabo de olho”e passaram reto.

Ela disse que estava com fome e pediu que eu comprasse banana. Eu entrei no mercado e falei “ok, vamos lá comprar”, e então coloquei na sacola.

E ela falou assim: “não menina, eu não quero essa banana aí não. Eu quero outra banana”. Eu peguei banana prata e ela queria a banana nanica. Alguma coisa do tipo. Eu respondi: “tudo bem, senhora, pode escolher.

Então ela apontou, eu peguei e coloquei de novo a penca banana certa no saco.

Ela respondeu: “Não, eu não quero essa penca de banana. Eu quero duas bananas”.

Eu: “Senhora, só duas Bananas? Eu pago a penca inteira para a senhora”.

A senhora: “Não, eu só quero duas, tá bom?”

Ela ficou super irritada comigo, ficou chateada porque primeiro eu errei o tipo de banana que ela queria, e depois porque eu queria dar uma penca de banana e ela só queria duas. E ela ficou irritada comigo. Eu me confirmei e disse que estava tudo bem.

Naquele momento eu pensei: poxa, eu queria ajudar mais, mas ela não quis essa ajuda. Ela quis o que ela precisava naquele momento, duas bananas. Comprei, paguei, fui embora. Saí um pouco atordoada porque fiquei pensando que ela deveria aceitar a minha ajuda de receber mais ajuda.

E aquilo mexeu um pouco comigo, mas me trouxe uma reflexão: caramba, quantas vezes eu tentei ajudar e eu acabei irritando alguém. Acabei atrapalhando ou até sendo invasiva e inconveniente.

A senhora, a banana e os 3 homens me trouxeram alguns insights:

1. Os três homens que passavam na minha frente sequer estavam atentos para uma pessoa que precisava de ajuda. Ou seja, quantas vezes nós também não nos deixamos levar pela correria do dia a dia e esquecemos de olhar para o lado para observar, compreender, ter empatia e atender uma necessidade de alguém próximo ou de algum cliente. Neste caso, uma necessidade simples e que não afeta nada, nem o bolso.

2. A senhora queria uma ajuda muito específica, ela não queria mais do aquilo que realmente pediu. Ou seja, saber ajudar não é acatar qualquer pedido, mas se ele for legítimo e possível de resolver, o faça sem questionar tanto. Quem está passando por uma necessidade, pode estar com pressa, pode estar com “fome ou sede” de alguma coisa. Fome e sede são casos de urgência.

3. A banana! O que é abanana nessa história? É aquilo que a gente pode oferecer. Ou seja, ajude com aquilo que você pode e esteja sensível para não exagerar. Não precisa entregar menos ou mais do que você é capaz e do que o outro precisa. Nem de menos nem de mais.

Então fica aqui a minha reflexão para que a gente consiga ter essa sensibilidade nas relações, no nosso marketing, no atendimento aos nossos clientes e na resolução de problemas diários. Por exemplo, quantas vezes a gente quer fazer mais pelo nosso cliente, nosso parceiro ou fazer de menos porque a gente simplesmente não tem esse olhar sensível para o que de fato as pessoas precisam?

A gente tem que saber ajudar, assim como também quem pede ajuda tem que saber pedir da maneira correta. Para que não haja nenhum ruído na comunicação e fique um mal-entendido.

Comente abaixo se você já passou por alguma situação em que você quis ajudar e acabou criando uma situação chata e inconveniente. Ou se você já pediu ajuda e não soube pedir ajuda e por isso não recebeu o que precisava.

Eu quero entender um pouquinho melhor o que você pensa sobre dar e receber ajuda.

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Laíze Damasceno

Meu propósito é inspirar, emocionar e tocar o coração das pessoas. Ajudo empreendedores a conquistarem a confiança dos clientes sendo mais gentis no ambiente virtual. Com um método autoral e um plano descomplicado de rápida implementação, auxilio na construção de marcas autênticas, gentis, humanizadas e com propósito.